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Estamos vivendo um home office quebra-galho

Estamos vivendo um home office quebra-galho

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* Nelson Alves dos Santos

A primeira vez que ouvi essa frase foi em uma conversa com a Dra. Roberta Vergueiro Figueiredo, advogada especialista em Direto do Trabalho, criadora do canal CLT em Pauta, no Youtube. Estávamos em uma live falando justamente sobre o home office e a pandemia.

O home office foi a solução encontrada por muitas empresas para manter suas atividades nesse período. Fazer girar a economia passou a ser questão de sobrevivência das empresas, tanto quanto o isolamento social tornou-se essencial para evitar a disseminação do vírus e preservar a vida. A saúde do negócio entrou em foco assim como a saúde dos colaboradores, que precisavam do emprego para manter a sua autoestima. Ou seja, tudo estava interligado.

Mas sabe quando você se muda às pressas para uma casa e instala um armário provisório que acaba se tornando definitivo? Com o home office foi assim. Os colaboradores migraram para suas casas a toque de caixa, afinal, de repente tudo fechou. E aquela situação que parecia ser breve, foi muito mais demorada do que todos esperavam.

Aos trancos e barrancos, empresas e colaboradores foram se ajeitando. Melhorando a internet aqui, consertando um equipamento ali ou até providenciando materiais que faltavam para fazer o home office acontecer. E no acender das luzes de um belo dia, as casas tinham se tornado escritórios. Ou melhor, eram metade casas, metade escritórios. Um home office quebra-galho.

Com o passar do tempo, todos os setores e as pessoas foram se adaptando a essa realidade pandêmica. Alguns colaboradores até começaram a gostar de trabalhar em casa, e as empresas passaram a perceber que a produtividade poderia ser maior. Reduziram custos com aluguel e com vários itens e, ainda assim, tinham o funcionário à disposição. O tempo todo. Aí é que começaram os problemas.

O home office quebra-galho

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Nas consultorias que tenho dado, especialmente para empresas de São Paulo (tanto na capital, quanto no interior), tenho visto um erro muito comum acontecer: empresários perderem o limite da relação com o funcionário devido a esse home quebra-galho.

Isso porque, na verdade, as pessoas não estão exatamente trabalhando em home office, mas estão trabalhando em casa. Ou seja, o computador foi, muitas vezes, instalado na sala de jantar, onde a família se reúne para conversar ou para ver TV.

Então, mesmo naquela hora de descanso, em que o colaborador está de boa com a sua esposa e com os seus filhos, os chefes esperam que ele atenda o telefone ou responda a algum e-mail. E ai dele se não responder!

Estar em casa e longe dos olhos do gestor já é confortável demais e não permite aquele controle exercido antigamente, então, no mínimo, ele tem que estar à disposição, certo? Errado!

As empresas precisam tomar muito cuidado porque home office não é escravidão. Situações emergenciais acontecem, e independentemente de onde o colaborador esteja – em casa ou no escritório, ele pode sim atender. Vez ou outra.

Agora se o seu funcionário recebeu um e-mail às 22h e ainda respondeu, isso pode caracterizar, juridicamente, que ele estava trabalhando até aquele horário. Se ele respondeu, ainda mais por obrigação, a situação é pior ainda.

Sinal de alerta aceso

A pandemia não vai acabar tão cedo. Vamos ter que conviver com esse vírus até que todas as pessoas (ou boa parte delas) sejam vacinadas, assim como tivemos que conviver com a varíola, com o H1N1 e com a malária, enfim, temos muitas doenças não erradicadas no Brasil, com as quais precisamos conviver e às quais temos que nos adequar.

O home office, com os devidos ajustes, é uma realidade que veio para ficar. Como consultor empresarial tenho transmitido aos meus clientes uma importante orientação com o embasamento jurídico fornecido pela Dra. Roberta: se a sua empresa tem funcionário em home office, procure o seu Departamento Jurídico o quanto antes e faça um adendo de contrato com os devidos ajustes, porque lá na frente, isso pode virar um sério processo trabalhista.

Outra importante orientação, esta de condução empresarial, é para que se busque uma conexão entre empresa e empregados, procurando estabelecer de modo amigável os de direitos e os deveres. Precisamos acender a luz do bom senso – de ambos os lados – para minimizar as tantas reclamações decorrentes desse novo modelo de trabalho.

O colaborador não precisa ser inflexível. Vez ou outra, não custa responder a um e-mail às 17h15, mesmo que o seu horário seja até as 17h. Por outro lado, a empresa precisa compreender que o funcionário tem horário de trabalho, tem esposa ou marido, tem casa, tem filhos, enfim, tem uma vida para além do trabalho. Se não houver respeito, não haverá harmonia. E a chance de que essa situação caminhe para um processo trabalhista será ainda maior.

 

* Nelson Alves dos Santos é mestre em Administração de Negócios, professor universitário e consultor empresarial pela FULL TIME. Saiba mais em www.consultoriafulltime.com.br

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